Dedicado aos amigos do Forum Autohoje
( http://forum.autohoje.com/topic.asp?TOPIC_ID=44482&whichpage=11 )
Estimados amigos,
Antes de mais, cordiais saudações a todos os que desinteressadamente têm dado de si em prol deste tema, nomeadamente ao incansável companheiro Luciano Rato que em boa hora depôs a primeira pedra. Escusado será dizer, também eu li as 43 páginas desta bíblia, e desde logo fiquei interessado em ser mais um aventureiro em busca de um carro a gasóleo para o meu filho. Tenho familiares em Ludenscheid (Alemanha) a 80 quilómetros do aeroporto de Colónia que se prontificaram em me ajudar, portanto, não tive qualquer problema de maior com a língua nem com o trajecto de volta depois da compra de um GPS.
Uma vez que estou inteiramente agradecido a todos os que construtivamente têm colaborado para o êxito deste Fórum, não posso deixar de, de alguma forma, dar a minha modesta colaboração para quem queira partir para a Alemanha. Dando uma descrição sintética e ao mesmo tempo, o mais detalhada possível, até onde a minha memória possa alcançar, para que outros leigos como eu, tenham a vida um pouco mais facilitada.
Seria desejável que fosse a Administração Publica a facultar um roteiro pormenorizado e actual, com todos os passos a dar, os documentos necessários, para evitar dúvidas, mas não é o que acontece... o povo é sereno... só paga e é mal servido!...
Preliminar
É importante, a meu ver, antes de partirmos se faça em Portugal uma busca do carro eleito, lhe faça um test drive e não se fique por apenas um modelo ou marca. Connosco aconteceu, apenas termos pesquisado na Net, começámos por um Golf, 3 portas preto, a seguir passámos ao Audi A3, Mercedes C220 coupe, finalmente era o A4 carrinha e acabámos por trazer um BMW 318d carrinha.
Se calhar o melhor ainda, é contar primeiro os euros e ir em busca do que houver disponível, porque não somos os únicos povos com essa intenção. Está tudo muito escolhido e os preços inflacionados.
Descrição
- Compra previa dos bilhetes http://www19.germanwings.com/skylights/cgi-bin/skylights.cgi?language=PT A Germanwings, por estar a fazer 4 anos de existência, esteve praticamente a oferecer bilhetes. A reserva de bilhetes poderá ser feita no aeroporto da Portela (portway) ao preço da Net e pagamento com MB – connosco foi assim porque não conseguimos pela Net.
- Verba para a viatura – notinhas roxas – só consegui reunir em quantidade na sede da CGD.
Embarque dia 10/Outubro Check in 2 horas antes. Os comissários de bordo não falam português, pouco se percebe das instruções de emergência. O espaço dentro do avião é muito apertado, mas a viagem foi impecável. Ao chegarmos a Colónia deparamo-nos com o aeroporto muito pequeno, a sala de espera é logo ali. No caminho para casa aproveitámos logo para espreitar o que nos ofereciam os stands da marca. Julgo serem esses apenas os que nos dão a garantia internacional (Europlus) que tanto ambicionamos para um investimento tão elevado. Entrámos num stand da BMW/Mini e ficámos logo a bater mal com as linhas arrojadas das várias versões expostas (veículos novos). Do lado de fora do edifício estavam as viaturas usadas, todas com óptimo aspecto. Logo ali encontrámos 2 hipóteses de compra diferentes do A4. Neste 1.º embate não nos rendemos logo na esperança de encontrar algo mais promissor. Como o meu familiar tem GPS no carro, após o 1.º stand, traçámos logo azimute para o próximo, desta vez da Audi. Havia muito carro exposto mas não a versão desejada. Penso que ainda fomos a outro, mas como já se aproximava a hora do encerramento, protelámos a coisa para o outro dia bem cedo, porque o dia de trabalho nesse país começa cedo.
No 1.º dia efectivo de busca, dirigimo-nos de imediato a um outro stand da BMW, onde o meu familiar tem alguma confiança, pela pessoa que o costuma atender, apesar de não o entendermos verificamos logo ser uma pessoa impecável. Mesmo sem termos dado a entender ao meu familiar, que a nossa ultima escolha seria uma carrinha, na véspera do nosso embarque, já tinha havido contactado com a dita pessoa nesse sentido. Portanto, de imediato trouxe-nos o que havia disponível nas melhores condições. Um carro de serviço da BMW, que acabou por passar pelas mãos de um doutor para baixar o preço. Eles lá fazem isso mas não compreendo porquê. Apenas tinha 55.000km, impecável, com tecto de abrir, rádio CD, kit mãos livres com botões no volante, AC automático, crouise control 5*****, computador de bordo, etc. A BMW por ser um modelo de fim de linha rectificou nele todos itens com menos sucesso. Comparando com os modelos actuais não constato grandes diferenças. Tem 116 CV e no trajecto para cá fez uma média de 5.1 l/km. Quanto ao preço, estava marcado 17.900€, mas fizeram-nos uma atenção. Uma vez que estávamos necessitados de um GPS para o regresso, propuseram-nos um Tom Tom não sei que modelo, mas à partida apenas tinha a cobertura da Alemanha. Portanto, acabei por aceitar o desconto no valor considerado (700€), em que os 17.200€, já contemplavam o valor do carro com o custo das matrículas e respectivo seguro por 14 dias, para além do processo administrativo. No mesmo dia que vimos o carro, liquidámos logo a dívida e passados 2 dias (para a sua preparação e processo administrativo) ali estava ele reluzente, prontinho para fazer uma longa caminhada. Deram-nos um dossier com toda a documentação necessária, uma bolsa e um porta-chaves.
Como não fomos prevenidos com o GPS, uma vez que haveria a hipótese de comprar um veículo já com esse equipamento. Tivemos a necessidade de adquirir um após a compra. Tínhamos 2 hipóteses: o meu familiar tem um amigo turco que consegue esses equipamentos a preço imbatível mas do tipo auto rádio; a outra hipótese, que foi a que seguimos, a encomenda on-line. Fizemos algumas pesquisas e lá encontrámos o mesmo material (Garmin Nuvi 350 – que é um Best Seller) com preços para vários gostos. Uns a entregarem no dia seguinte e outros nem por isso. Conseguimos que nos entregassem mesmo na 6.ª feira (véspera do nosso regresso).
Habituados a fazer este percurso Alemanha - Portugal, sem que nos apercebêssemos, os nossos familiares tomaram a iniciativa de nos rechear a nossa mochila, com tudo o que julgaram necessário e mais conveniente para uma viagem tão longa (sandes, pães de leite, linguiças, sumos e água), nada pesado que possa causar sonolência. Devo dizer que se revelou de uma utilidade extrema – não foi preciso parar para comer, se a marafada progenitora desta ideia (Rosinha), tiver oportunidade de ler estas simples palavras, pretendemos desde já, prestar-lhe justa homenagem e demonstrar-lhe o nosso profundo agradecimento.
Para o regresso tínhamos em mente passar por Antwerpen (capital da noite - Bélgica) local onde temos também familiares, foi o que fizemos. Ao chegarmos, numa fila de trânsito, o meu rapaz disse Adeus a um grupo de garotas que iam num Renault Megane holandês, de imediato escreveram num papel “Tell me 9xxxxxxx” com alguma insistência. Aquilo para ali é uma doidice toda a noite nas discotecas!... Ao ponto do meu rapaz ter vontade de lá voltar. Existem também para lá, voos de low cost que valem a pena para umas pequenas férias curtidas. Confesso que, pelo pouco que vi de Antwerpen não gostei muito do seu aspecto. Tínhamos partido de Ludenscheid cerca das 5 – 6 horas da manhã de sábado, às 8:10h estávamos em Antwerpen onde permanecemos até cerca das 13:00h. A partir daí foram mais 2200km num total de 2400 rumo à margem sul do Tejo. Foi noite – dia – noite – dia, sempre a andar, excepto para trocar de piloto, mas não aconselhamos isto a ninguém, a qualquer momento podemos fechar os olhos para sempre. Não sabemos como seria se partíssemos noutra hora ou dia da semana, sabemos é que em grande parte do trajecto não havia transito.
Legalização
1.º dia – Alfandega - 2.ª feira 16/Out, cerca das 9:00h, iniciou-se talvez o maior suplicio, a legalização da viatura. Com efeito, apresentei-me como representante do proprietário, depois de ter tirado as necessárias fotocópias na Tabacaria Jardim por detrás Alfandega Jardim do Tabaco (a senhora já sabe quais são). Comprado e preenchido o impresso preliminar DAV, surgiram os 1.ºs entraves. Era necessária uma declaração do proprietário a delegar poderes na minha pessoa, tudo bem. A par disso, o DAV tinha de ser assinado também por ele. Fui ao seu encontro e acabou por assinar os restantes. Voltei lá no mesmo dia e acabei por entregar tudo o que era necessário. Ficaram lá com os livretes originais, dos quais apenas me deram as fotocópias com selo branco e carimbadas “Conforme o original”, o COC original e o tão falado DAV, já imprimido, com a importância a pagar de IA. É pena que este documento, com tanta coisa escrita, não refira que o pagamento tenha que ser feito em cheque visado endossado à DIRECÇÃO GERAL DO TESOURO, e o número do contacto telefónico (218814108) no caso de haver dúvidas. Neste dia não pude fazer mais nada.
2.º dia – Inspecção – Após alguns contactos, fiquei a saber que na margem sul do Tejo temos outro local onde se podem fazer estas inspecções, nomeadamente em Corroios, Centro de inspecções A. M. Gonçalves, concessionário Toyota e BMW mesmo ao lado, paguei 65,59€. Foi necessário o Modelo 1402 (em duplicado apenas a primeira página) mais a segunda, devidamente preenchido e assinado (este modelo 1402 em (PDF) do site da DGV, permite que se preencha antes de se imprimir); as fotocopias dos livretes cedidas pela Alfandega e o COC original. Como não tirei a blindagem antes de ir à inspecção, não foi possível visualizar o número do motor. Então o inspector, após ter passado o certificado da inspecção como Aprovado, pediu-me que passasse pelo concessionário, por sinal logo ali ao lado, para que eles verificassem o referido número e que passassem uma declaração para juntar ao processo. Foi o que se fez em troca de 53,85€ - mão dobra a 47,19/hora. Aproveitando o tempo que restava do dia, fui à CGD pedir um cheque visado, por azar entrei na dependência errada, já calculava por não ser a primeira vez, mas insisti porque estavam poucas pessoas (+/-6). Por causa de 2 clientes estive mais de 1:15h à espera da minha vez no balcão Caixa. Como se não bastasse, tive que lá voltar por não saber a quem deveria ser feito o endosso.
2.º dia – Homologação – Como sobrara tempo fui também à DGV (serviços centrais) junto à estação de Entrecampos – outro suplicio – quando lá cheguei o guichet Viaturas – Geral estava no número +/- 960 e eu tinha o 733, pensei logo, estou feito!... Questionei o funcionário se começava no zero, ele disse-me que era no 700, então fiquei mais tranquilo. Ao fim de algum tempo, já passava das 16:00h, lembrei-me, bolas... podia ter ido à Alfandega enquanto corriam os números, mas já era tarde. Quando chegou a minha vez a funcionária pediu-me o 1402, já utilizado pela inspecção, mais o COC (fotocopia) e disse-me que teria de voltar só dai a 3 dias (6.ª feira).
3.º dia – Alfandega IA - Quarta-feira 9:00h, quando cheguei disse-lhes que pretendia pagar o IA, torceram um pouco o nariz porque ainda não tinha na minha posse a homologação e eu provei-lhes, através do certificado da inspecção, que o CO2 estava conforme o COC. Acederam que eu pagasse o IA. Disseram-me que tinha de tirar fotocópia do certificado da inspecção, frente e verso e da declaração com o número do motor quando entregasse a homologação e mais nada. Fui à Tesouraria pagar, perguntei à funcionária pelas matrículas, disse-me que só me eram entregues no dia seguinte. Neste dia não pude fazer mais nada.
4.º dia – Alfandega (Matriculas) - Quinta-feira (as matriculas só são entregues a partir das 9:30h) - ao perguntar por elas constataram que já tinham chegado matriculas, perguntaram-me pelo nome e viram que não estavam, questionaram-me se já tinha entregue a homologação, disse-lhes que não, só na 6.ª feira é que estaria pronta. Foi então que me disseram que não era assim. Só no dia a seguir à entrega do referido documento é que entregam a matricula. Chega-se à conclusão que o compromisso assinado (ver anexo), sobre a entrega da homologação, de nada serve. Um dia perdido para nada!...
5.º dia – Alfandega (Matriculas) - Sexta-feira, fui à DGV buscar a homologação (não é preciso tirar senha – apenas ir ao balcão 1). Na posse da homologação, fui de imediato à Alfandega entregá-la juntamente com as fotocópias referidas acima e que me tinha esquecido de tirar no inicio do processo. (ver anexos)
(Para quem neste Fórum disse que se trata da legalização em apenas 2 dias eu digo que é uma perfeita utopia, só a homologação do CO2 demora 3 dias - talvez já tenha sido...?)
6.º dia – Alfandega (Matriculas) – DGV (Cartão Único) – 2.ª feira, finalmente recebi o tão desejado DAV (já em impresso timbrado) onde constam as matriculas. Este documento é válido por 60 dias e permite-nos que possamos andar com o carro, findo os quais é necessária a sua renovação caso entretanto ainda não tenhamos na nossa posse o Cartão Único. Foi-me aconselhado pela Alfandega, tratar de imediato com a DGV da restante documentação (CU) uma vez que eles estão um pouco atrasados. Foi o que eu fiz no mesmo dia. Para o (CU) foi necessário novamente o modelo 1402 (original + fotocópia) com as certificações do Centro de Inspecções Técnicas; fotocópia do COC; cópias autenticadas pela Alfandega dos livretes do país de origem; original do modelo 112 passado também no Centro de Inspecções; fotocópia do DAV (Declaração Aduaneira do Veículo); fotocópia do Bilhete de Identidade + Número de Contribuinte e 33€ (trinta e três euros). Resta-me aguardar que dentro de um mês seja enviado o referido cartão para depois ir com ele à conservatória – este passo será explicado quando passar por ele.
............
Entretanto encomendei as chapas de matrícula que me custavam 10€ se fossem de chapa e 15€ se fossem de vinil. Perguntei se era possível omitir o ano da 1.ª matrícula, disseram-me que não.
Seguro/Selo Imposto Municipal
Quanto ao seguro com danos próprios apenas encontrámos 2 companhias, que de alguma forma, tem valores aceitáveis para um condutor com vinte e muitos anos, nenhum seguro em seu nome e quase 10 anos de carta. A Mapfre foi a companhia que, sem favor, nos atribuiu à cabeça cerca de 40% de bonificação. A eleita foi contratada através de um mediador que trabalha com várias companhias – eles sabem como devem jogar com as coisas e conseguem valores espectaculares – conseguimos por um valor 27% abaixo da Mapfre com 0% franquia, que já de si faz valores aceitáveis com 2%.
O selo do Imposto Municipal apenas tem valor simbólico se a viatura for nova. Como a viatura é usada e o imposto foi pago fora do período regulamentar, foi necessário ir às Finanças solicitar o dístico. Foi fornecido o DAV onde estão todas as informações, pago com MB o valor como tivesse no período regulamentar. Foi-me entregue um justificativo selado e aguarda-se que o dístico chegue via postal.
............
Relativamente à legalização penso que terei sido suficientemente esclarecedor, no entanto poderá haver algum pormenor que me tenha falhado. Agradece-se qualquer correcção que acharem conveniente.
Uma vez que estou aqui só para ajudar, à semelhança da maioria dos participantes deste fórum, julgamos que será de grande utilidade para quem, tal como nós, tem dificuldade na língua Alemã, houvesse alguém lá que vos ajudasse no árduo trabalho de busca e escolha do veículo desejado. Pois bem, sem que tenha qualquer interesse, a não ser, a de beneficiar os meus familiares que estão receptivos a essa hipótese, nomeadamente com alojamento e bom acolhimento, aqui demonstro a minha disponibilidade.
É conveniente dizer, o meu familiar foi mecânico e tem bons contactos, principalmente nas marcas, porque é ai onde podemos adquirir uma viatura com garantia internacional. Para tanto basta que me contactem por e-mail amigos.autohoje@gmail.com para combinarmos um(a) prévio(a) encontro/conversa.
É tudo quanto me apraz dizer neste momento, actualizarei dentro do possível qualquer desenvolvimento que surja entretanto e ficarei inteiramente ao vosso dispor para eventuais esclarecimentos.
Um abraço forte a todos intervenientes,
Alexrib